O laboratório do Ser

No Centro de Conferências de Renova, em Bilthoven, Holanda, durante o final de semana de Páscoa, em abril de 2017, aconteceu uma conferência da Juventude e dos Jovens Rosa-Cruzes, da qual participaram mais de 300 jovens. Uma das alocuções tinha como tema a consciência, Einstein, os flocos de neve, o Espírito e a Luz do Amor.

 
Cada jovem vivenciou, pelo menos uma vez, um momento em que pensou: “Eu sou. E estou vivendo agora, neste instante, neste mundo”.
Mas afinal, no fundo, o que é a vida? O que é que eu estou fazendo aqui, agora?
Às vezes dizemos que “a vida é força, energia”.
 
Quando estamos focados, percebemos esse sentimento profundo de estarmos vivos. É bem provável que o sol esteja brilhando e que à nossa volta tudo esteja seguindo seu curso e nem conheçamos a causa de tudo isso, mas essa consciência de estarmos vivo surge de repente. É como se estivéssemos no centro de nós mesmos e ao mesmo tempo em toda parte! É um grande e invencível sentimento de estarmos aí e ao mesmo tempo surge uma expectativa: “O que será que ainda está para acontecer em minha vida?”

Depois desse reconhecimento evidente de estarmos presentes, geralmente vem a pergunta: “Na verdade, por que estou aqui? O que será que eu vim fazer?” Esse é o mistério da vida! É a experiência simultânea de “ser/estar” e “vir a ser”. Compreender isso é o que gostaríamos de chamar de “nossa missão de vida”, mas também de “nosso desafio”.

Às vezes dizemos que “o mundo é a escola da eternidade”. Portanto, fica claro que precisamos utilizar nossa inteligência para examinar as experiências que precisaremos vivenciar nesta vida, nesta natureza.
Poderíamos resumir tudo isso simplesmente como “passar por experiências”, mas também podemos dar um passo a mais considerando que somos nossa própria experiência e que viver é construir essa realidade de vida.
 
Somos magos!
Sim: poderíamos nos considerar magos, alquimistas, tendo à nossa disposição uma oficina de trabalho grandiosa, cujo nome seria (claro!) … Natureza! Aí está um laboratório no qual podem ser estudados muitos processos maravilhosos! Em nosso pequeno espaço, vamos seguindo e verificando nossas descobertas, a fim de que, desse trabalho, nasçam: compreensão, verdade, razão.
 
“Que curso devo escolher? Será que vou encontrar um emprego, uma namorada, uma casa?”. Essas e outras perguntas desse tipo vão sendo respondidas por si mesmas. Mas, quando tentamos abordar desafios maiores, começamos a questionar a própria vida em si.
Então, a vida vai se revelando como uma variedade infinita de formas e fenômenos! Ela vai se desdobrando em diversos níveis de densidade, visíveis e invisíveis. Assim, começamos nos referir a ela como “espírito e matéria”, “uma criação na qual se movimenta um enxame multicolorido de miríades de seres, desde o mais terreno até o mais celestial”. Além disso, a chave para perceber tudo isso encontra-se na gradação dos índices vibratórios.
Quanto mais lenta for a vibração, mais densa será a forma. Isso pode ser aplicado aos elementos, aos seres e às situações. Assim, por exemplo, os pensamentos são considerados formas sutis que se convertem em formas concretas, quando são expressos e se tornam visíveis.
 
Isso é lógico. Também podemos imaginar que estão acontecendo muitas coisas, tanto nas regiões visíveis como nas invisíveis. Assim, podemos concluir que o conjunto dessas duas regiões forma uma só realidade – e o modo como vivenciamos essa realidade depende de nossa consciência. Cada um de nós percebe essa realidade de modo diferente, sempre em função de nossas próprias percepções, e essa consciência perceptiva reside naquilo que chamamos “nosso meio” (ou provém dele!).
 
O centro com base no qual nós somos, a essência da qual tudo se formou, esse ponto central, é como uma fonte: ele é a fonte.
Essa ideia, a imagem de uma fonte, talvez possa parecer meio abstrata, mas, em sua simplicidade, ela é a fonte que vai nos ajudar a chegar às maiores descobertas!
Não é por acaso que estamos aqui, neste templo [no templo Renova, Holanda], em volta da fonte que está no centro dele. Ao redor de uma fonte visível, onde a água não para de jorrar!
 
A água é como a vida, mas a vida em si provém da fonte.  Ela é a fonte que chamamos de Deus, Aquele, Único. Ou, para que todos possam compreender melhor: Espírito.
Quando escutamos o murmurar do jato de água, nos lembramos de que essa é a linguagem da fonte. É por isso que a Vida é a manifestação do Espírito! Espírito equivale a dizer Água Viva, ou força ígnea do Espírito.
Esse Espírito dá vida a uma criação infinita de miríades de seres! Esse enigma tão estranho sobre o processo segundo o qual o Espírito se torna matéria é equivale à busca da única Fonte Original.
 
Às vezes, o Espírito também é chamado de “pensamento de Deus”. Assim como o sol irradia a luz, Deus irradia o Espírito. Portanto, existe a irradiação do fogo divino, que é a Luz. A força espiritual é o fundamento da existência. E o ser humano, precisamente o ser humano, é fundamente um ser espiritual!
Seu princípio é o átomo-centelha do Espírito, ou a centelha divina, a semente indestrutível de um pensamento divino.
 
Como o ser humano poderia ser outra coisa senão espírito? Afinal, é a respeito dele que é dito: [E os Elohin disseram:] Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.
Será que isso quer dizer que ele foi criado à imagem de Deus? Será que ele é um espírito?

Einstein
Vamos tentar nos observar – não como um corpo, mas voltemos nossos pensamentos com mais profundidade, para muito distante, para trás, para os tempos remotos, antes de nos tornarmos “um corpo”. Vamos pensar em nós mesmo como espírito, como um pensamento: um pensamento livre, como uma centelha, irradiando, rolando no pico de uma onda de fogo infinita e luminosa. Essa centelha de fogo, esse “esboço de ideia” seria o primeiro pensamento original, que foi aceso com base no movimento.
 
Afinal, o que é o ser humano? Uma consciência vivente? Seremos todos nós uma pequena parte de uma grande consciência?
É essa ideia que encontramos em Einstein, que estava sempre preocupado com o lugar do ser humano no mundo e no universo, além de pesquisar a respeito de nossa visão do que vem a ser espírito.
 
Um dos pontos mais notáveis do pensamento de Einstein era o modo como ele parecia vivenciar a Física.
Ele não formulou nenhuma teoria. As forças e energias sobre as quais ele refletia, que explorava, que colocava em movimento, ele as experimentava. Assim, elas se tornavam praticamente tangíveis para ele.
Ele tornou-se essas forças! Assim, ele soube: se quisermos conhecer o Espírito – Deus – teremos de ser semelhantes a Ele!
 
Nossa viagem, aquela que começou com o primeiro pensamento, iniciou-se com o impulso divino, que liberou essa centelha no espaço.
O que estamos tentando aprender é o que realmente somos, nas profundezas de nosso ser – e aprendemos isso sendo esse ser profundo! Trata-se do crescimento do espírito que se transforma em Espírito, da transfiguração do ser humano em Deus.
O movimento foi a força que deu início a essa progressão, a essa transformação, a esse processo que torna uma ideia em realidade.
 
Einstein estudou a velocidade da luz porque queria saber como ela se desloca no espaço. Formulou as seguintes perguntas: “Para onde ela vai? Onde ela permanece?” Foi assim que descobriu existir uma relação entre o pesquisador e a luz e que a individualidade e a universalidade não são valores que se excluem reciprocamente: na verdade, são dois aspectos da mesma realidade. Assim, quando você é um pesquisador, um buscador, percebe que acontece uma mistura entre você e o que você está examinando.
 
Isso acontece, por exemplo, entre você e a luz, pois você consegue unir-se a ela como uma só manifestação: é a esse fenômeno que chamamos “iluminação”. Voltaremos a esse assunto mais adiante.
Agora, vamos retomar nossa viagem. De região em região, o pensamento foi se desenvolvendo e assim começou a se desenvolver a ideia de um homem em processo de ser.
 
Tendo surgido da região do estado espiritual mais elevado, finalmente nascemos em um mundo material, de poeira: um mundo de vibrações lentas. Cada ser humano é um milagre muito especial, único: possuímos uma imagem própria, carregamos conosco um pensamento original. Basta pensar no fato de que podemos ser identificados através de um código de DNA próprio, por um escaneamento de nossa íris, ou por nossa impressão digital.
 
É maravilhoso constatar que ninguém é igual a você e que você tem um valor único. É incrível saber que o fato de estarmos aqui, neste templo, é exatamente a vida que nos foi destinada – afinal ela reflete o conjunto de nosso estado de ser atual.
 
Como nasce um floco de neve
Vamos dar mais um exemplo disso. Algumas pessoas fizeram pesquisas com flocos de neve e puderam constatar que eram pequenas obras de arte.
Quando os examinamos ao microscópio, observamos que os flocos de neve têm a propriedade muito particular de ser completamente diferentes uns dos outros.
 
Podemos ver que a forma dos cristais muda constantemente e que eles nunca são exatamente os mesmos. Um floco de neve vai se formando ao redor de um centro feito de gelo: pode ser, por exemplo, uma pequena partícula de fuligem, uma bactéria, cinzas vulcânicas. É ao redor dessa partícula que se fixam as moléculas de água que se ramificam sob a forma de estrelas. Esse fenômeno depende do modo pelo qual o floco de neve vem flutuando até cair. De acordo com as características da atmosfera através da qual o floco vai caindo é que se forma uma criação única, muito especial.
 
Poderíamos dizer que o floco de neve é um reflexo de sua experiência, ou seja, é o vir a ser de um cristal de gelo.
Quando falamos de flocos de neve, citamos a influência da atmosfera, do ar no qual eles vão caindo. Mas agora vamos comparar esse processo com o de nosso nascimento no interior do microcosmo.
 
Vamos imaginar uma descida através de campos eletromagnéticos. Pense em campos de vibração constituídos por energias e informações: campos como a atmosfera na qual o cosmo inteiro está se movendo. Agora imagine que o momento do seu nascimento físico também passa por um registro como esse – o registro que você pode ver refletido quando faz um horóscopo: ele reflete a sua relação com o cosmo!
 
É desse modo que você chega na estação do mundo para visitar a Natureza. Você já está pronto para desfazer sua mala. Então, você percebe que dentro dela existem coisas estranhas. Na verdade você ainda nem sabe exatamente o que você deve fazer com elas.  Esclarecendo melhor: isso também faz parte da vida, do “estudo do ser humano”.

A Estrela Polar do Ser
Podemos constatar que o ser humano é um ser espiritual. Ele tem uma forma, uma natureza, que é seu corpo. Por meio da alma, ele tem uma consciência viva e uma faculdade de pensamento, graças à qual ele pode alcançar toda a extensão do cosmo. Seu núcleo, seu princípio, provém do Espírito: é por isso que ele também pode aprender a conhecer o Espírito, ou seja, Deus.
 
Cícero, o pensador latino, diz: “Sem inspiração divina, ninguém jamais poderá ser um homem verdadeiramente grande.”
Mas nós dizemos: sem ter começado o estudo de si mesmo, sem perceber o que é um ser humano, você nunca conseguirá contar com a inspiração divina. É preciso ter coração para ser um grande ser humano! E é preciso ter mais coragem ainda para ousar ver, com toda a lucidez, as alturas vertiginosas e as profundezas ocultas de nosso próprio ser.
 
Poderemos conseguir coragem quando existe uma Luz que ilumina nossos estudos. Essa Luz vem de tudo o que queremos saber. E essa Luz irá se liberar em você quando você quiser ajudar, quando quiser sondar o que vem a ser o mistério do Amor.
 
Essa Luz pertence inteiramente a você! Mas ela é divina e livre. Ela irá guiá-lo quando você for aonde deve ir, mas também quando você não for aonde deveria ir.
Nunca poderemos pressioná-la. No entanto, ela está muito próxima de nós e nos pertence mais do que nosso próprio eu!
 
Olhe para você mais uma vez
Olhe novamente o que você se tornou. É completamente duplo!
Primeiro, existe a luz interior, que é a estrela que nos conduz. É a Estrela Polar de nosso ser, nosso direito ao nascimento espiritual e nossa profunda e verdadeira natureza. Sua energia é a força da rosa do coração – e, mais tarde, talvez a irradiação dourada de nosso santuário da cabeça.
 
Em segundo lugar, existe a energia desta Terra. Ela percorre todo o nosso ser a partir do exterior, mas, no entanto, ela nos pertence. É uma energia considerável! E, por mais que ela seja o polo oposto da Estrela Polar, ela não é negativa. Nossa alma e nosso corpo são o ponto de encontro!
 
As energias ficam dançando por todo o nosso ser, desde o coração até o alto, lá dentro, baseadas em nossos sentidos voltados para o exterior, para o terreno. Essas duas energias ficam dançando e se encontram ao longo de nossa coluna vertebral: são elas que trazem a consciência até nós. Afinal, cada um dos centros que existem em nós transforma, trata tanto do terreno como da luz. E, o grau de nossa aprendizagem para utilizar a luz interior é o que determina a extensão de nossa compaixão, de nosso amor e, portanto, de nossa felicidade. Ele determina também, na verdade, em que medida a Terra está se tornando mais pura, duradoura e feliz, pois o mundo é exatamente aquilo que somos – e nós somos o mundo.
 
No entanto, essa inspiração divina está ausente. A luz dessa Estrela Polar realmente não está significando muita coisa. Mas, com essa Luz, tudo vai resplandecer!
Na verdade, mergulhados nessa energia, deveríamos conseguir realizar tudo, descobrir tudo, empreender tudo!
É uma força que se encontra em uma corrente subjacente permanente – ou, melhor dizendo, uma corrente superior transcendente na qual nos encontramos.
 
Em nossa vida, quando abrimos conscientemente nosso ser à inspiração espiritual, à Gnosis ou força-luz, acontece algo realmente maravilhoso! O pensamento, que nos ajuda a registrar nossas experiências, permite que escolhamos nosso caminho e se torna cada vez mais aguçado e, assim, vai se ampliando até tornar-se ilimitado.
Ele já não se limita ao que é visível, e logo adquire um novo poder: a compreensão.
 
Quando nos elevamos ou buscamos obter o conhecimento das coisas essenciais, logo vem uma resposta que nos chega como inspiração divina. Depois, as asas de ouro do caduceu de Mercúrio elevam o círculo perfeito de nossos pensamentos. Então, esse círculo começa a irradiar como uma pepita de ouro em nosso sangue, em nossa consciência, e ilumina todo o nosso ser.
 
E, como a maioria dos seres humanos já se esqueceu de sua Estrela Polar e de seu direito ao nascimento espiritual, a Escola Espiritual da Rosacruz Áurea aí está para trazer a luz até eles, aproximá-la deles, para que possam reconhecê-la e lembrar-se dela novamente.
 
É isso o que a Escola faz por nós e conosco! Ela está sempre nos oferecendo a inspiração espiritual para podermos saber tudo isso interiormente: finíssimas vibrações luminosas vão deixando rastros em nós e assim conquistamos o passaporte que nos dará acesso à realidade de onde elas vêm.
 
Como disse Einstein: “É preciso conhecer o Espírito ao mesmo tempo em que nos tornamos espírito”. Por essa razão é verdadeiramente muito importante compreender e reconhecer que tudo é possível para nós! ◊

Pentagrama edição 3 / 2017

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