O mistério sobre Francis Bacon – Jaap Ruseler

Livros

 

Desde o século 17, multiplicaram-se as especulações sobre quem realmente foi o autor das peças e sonetos de Shakespeare. Essas obras são lidas e encenadas até hoje, e com razão, obviamente. A qualidade dessas peças permanece inigualável na história cultural europeia.

Certamente, houve em Stratford-upon-Avon um ator chamado William Shakespeare, mas uma pessoa do povo poderia ter tido a educação, a erudição, a virtuosidade linguística, o conhecimento dos clássicos e a perspicácia psicológica necessários para produzir uma obra desse porte? Muitas pessoas têm apontado essa questão com frequência.

O autor da obra intitulada O mistério de Francis Bacon revela, após 28 anos de investigação, tudo o que os pesquisadores buscaram saber ao longo dos últimos cinco séculos e o que descobriram sobre a verdadeira identidade de Shakespeare. Eles chegaram à conclusão indiscutível de que se trata muito provavelmente de Francis Bacon, filho natural da rainha Elizabeth 1ª. O autor faz inicialmente uma descrição da Inglaterra e da família real inglesa por volta de 1600 – um inacreditável emaranhado de intrigas – e explica claramente por que a linhagem de Bacon precisou ser mantida em segredo. Naquela época, uma rainha encarnava o ideal da virgindade; assim, nesse contexto, não havia lugar para crianças nascidas fora do casamento. É preciso ressaltar que Francis Bacon tinha também dois irmãos e recebeu excelente formação, correspondente à classe da qual fazia parte.

Ele tinha todas as qualidades já mencionadas. Visitou as famílias reais europeias, ampliou os contatos internacionais e, segundo o pesquisador Peter Dawkins, foi o pai espiritual dos rosa-cruzes e dos franco-maçons na Inglaterra. Foi membro da Câmara dos Comuns e da Câmara dos Lordes, procurador geral e conselheiro da Coroa, mas, além disso, teve uma vocação maior: a de estabelecer um grande plano de reformas, que registrou em sua obra The Great Instauration (A Grande Revolução, 1605).

Tratava-se de uma reforma geral e completa das ciências, assim como propunham os rosa-cruzes alemães em seus Manifestos, cujo primeiro tomo, no entanto, foi publicado apenas nove anos mais tarde. Outras semelhanças se destacam entre os eventos que se desenrolaram simultaneamente no continente. Bacon enriqueceu a língua inglesa com milhares de palavras novas. Na França, a Plêiade fez o mesmo com o idioma francês, e na Holanda, a Câmara dos Retóricos fez o mesmo com a língua holandesa em Liefde Bloeiende (Amor florescente).

Francis Bacon aos 18 anos
Um fato surpreendente é sua incontestável influência sobre os rosa-cruzes alemães. O autor vai além ao relatar que Bacon foi certamente o redator dos Manifestos (capítulo 9). Johann Valentin Andreæ negou por diversas vezes ser seu autor, e os textos da Fama Fraternitatis são muitas vezes literalmente idênticos aos das obras anteriores de Bacon! Em 1611, surgiu também uma tradução da Bíblia, autorizada por Bacon – a King James Bible, que é usada ainda hoje.

 

Liber T e Liber M (O Livro de Deus e o Livro do Mundo) são ambos considerados importantes para aprendermos a conhecer Deus, assim como é citado por Bacon e na Fama. Jaap Ruseler mostra outras semelhanças impressionantes: o Pensamento Hermético, o Amor em Ação (Love in Action), o Amor como a ação mais elevada etc..

O Renascimento na Inglaterra e na Europa, no final do século 16 e começo do século 17, foi comprovadamente um momento muito especial de renovação. Um elemento importante evidente nos pseudônimos utilizados por Bacon, é seu conhecimento e emprego de diversos códigos secretos. Além do pseudônimo Shakespeare, ou Speare-Shaker, que se refere à lança nas mãos de Palas Atena, mais de dez outros indícios foram descobertos.

Bacon sempre profetizou, por meio de códigos que figuram em seu próprio trabalho e em outros realizados com diferentes pseudônimos, que após sua morte todos os segredos seriam revelados. De fato, inúmeras provas podem ser descobertas nesse livro. Suas peças de teatro oferecem diversos “níveis” de interpretação.

Assim, existe sempre um personagem que realizou a unidade entre a cabeça e o coração, como Pórcia, Próspero, Horácio. Cada peça de teatro detém um motivo subjacente e representa a vida em si. O livro de Jaap Ruseler mostra que as tradições da sabedoria esotérica formam a base de toda a obra de Bacon. Esses valores universais ainda são atuais, razão pela qual essas peças de teatro continuam sendo representadas até hoje.

Elas nos colocam frente ao espelho, incitando à transformação com base em um ponto de partida essencial: a lei do amor, que transcende a lei do carma.
Um capítulo do livro é igualmente consagrado aos sonetos; aí também podem ser identificados muitos níveis diferentes.

O resumo apresentado aqui é somente uma tentativa modesta de descrever aquilo que Jaap Ruseler descobriu a respeito da dimensão e profundidade quase incompreensível da figura de Bacon e sua obra. ◊

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Pentagrama no 2 / 2018

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